sábado, dezembro 10, 2005

Favourite places

Ultimamente, o meu sítio preferido é dentro do teu abraço, com vista para o interior do teu olhar.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Das partidas e dos regressos

Sempre gostei mais das partidas. Das minhas, entenda-se. E dos regressos. Neste caso, do dos outros. Dos que fazem falta. E tu tens feito bastante.
E desta vez estou com sorte. Estás de regresso e eu de partida. Mas sem desencontros!
Mas para já vou ficar a degustar a palavra partida, qual quadrado de chocolate negro a derreter lentamente na minha boca... Par-ti-da...

segunda-feira, outubro 24, 2005

De regresso

Aos blocos de cimento. Ao trânsito. Aos STCP. E agora ao Metro. Ao aquecimento central. Ao hi-fi. À televisão. Ao computador. À Internet. Ao telefone fixo.
... ...
Ok, pronto, salva-se o aquecimento central!
Mas já tinha saudades do buliço da cidade...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Nenhum Olhar

Tenho o peso do mundo sobre as costas. O sol põe-se no mar, ao fundo da Av. da Boavista, e cá dentro as sombras também crescem. Algo morre. Um pouco mais. Sou eu. Sou eu que morro um pouco mais. Espero, ao menos, que a primeira parte do vaticínio se tenha já cumprido. Caso contrário, duvido que resista muito mais. Resta-me esperar pelo futuro.
Entretanto, vou ficando com aquela que me parece hoje a única verdade, de José Luís Peixoto:
Já não posso voltar atrás, porque nunca se pode voltar atrás. Só o arrependimento daquilo que não escolhemos persiste, existe.

segunda-feira, junho 20, 2005

Mycobacterium praiae

Sabe bem decorar os esquemas terapêuticos dos antibacilares ao som das rolas insistentes. Ou adormecer, depois de estudar a tuberculose, com a areia da praia a transpirar maresia. Quem dera que a febre vespertina do sol do Verão e o emagrecimento das tristezas invernosas fosse multirresistente e se demorasse no meu corpo durante os próximos meses...

sábado, maio 14, 2005

Morada à beira-mar

Nos próximos tempos não me encontrarão aqui. Estarei a pisar o areal a perder de vista, quase intocado nesta época do ano, sobre o qual baila, no jogo do tapa-e-destapa, esse imenso véu azul-prata. Estarei lá, onde as manhãs cheiram a maresia e às hortênsias da minha mãe. Lá, onde os pássaros escondem o seu ninho no interior da sebe que escala o muro. Onde o comboio que transporta essa massa humana dos subúrbios é o que me separa e liga à cidade. É lá que estarei. Mas talvez até venha postar mais vezes. Talvez vos venha contar os segredos dos búzios. Lá, é quase garantido que irei escrever mais.

domingo, maio 01, 2005

Queima das Fitas do Porto

Vemo-nos por aí, este ano de cartola e bengala!

segunda-feira, abril 25, 2005

1 ano de Pink

Um ano mais cor-de-rosa. Na blogosfera, pelos menos. Na minha vida? Talvez, penso que sim... Quanto mais não seja porque agora tenho a Semiologia feita!

domingo, abril 10, 2005

O teu sms tornado post

Temos de aprender a respeitar as prioridades que sabemos que existem. Viver todos os dias cansa, mas morrer todos os dias cansa muito mais.
espaço
Parabéns! Thank you for always being here.

quinta-feira, março 31, 2005

Desamor e Grécia

Tenho andado ausente. A viver um desamor. Não me tem apetecido falar muito dele. Ontem, por acaso, foi excepção, mas o Blogger não quis que eu postasse. Talvez tenha sido melhor assim. Faltava o teu derradeiro telefonema. Mais uma discussão. A última. Tenho a convicção, de força crescente com o passar das horas, que se falássemos em Grego nos entenderíamos melhor. Assim, realmente, é impossível.
Aliás, fico a rir-me com a ironia do destino. Ontem, quase à hora do jantar, a fazer zapping, deparo-me com um filme no canal Hollywood passado em Santorini. Já não apanhei o título e, infelizmente, não o pude ver até ao fim. Também eu estive na praia de Perissa, fui a Akrotiri, visitei o vulcão e vi aquele pôr-do-sol único no mundo.
Quando falamos os dois, não comunicamos, trocamos somente palavras. É curioso, já vivi situações de comunicação sem haver uma língua, um código comum... Mas haver código comum sem haver comunicação é mais espantoso e frustrante (sim, bem sei que os elementos da comunicação são vários, mas estou apenas a centrar-me naqueles que são diferentes).
Pois é, não dá mesmo. Até porque eu arranho o Grego e tu só falas Português.

segunda-feira, março 07, 2005

Arrumações

Enchi 9 pastas de arquivo morto. As pilhas de fotocópias que já se amontoavam no chão, estão agora no interior de várias capas de lombada larga. O quarto levou uma limpeza geral. Apetece-me escrever, mas não acho as palavras. Certamente foram também deitadas fora, juntamente com os papéis esvaziados do cesto. Quero escrever sobre o filme que fui ontem ver ao cinema, sobre o que sinto por ti e sobre o que li em alguns posts noutros blogues, mas não me sai nada. Será que deitei fora só as palavras, ou, sem querer, esvaziei o coração? Será que as duas coisas que enunciei atrás não são, na verdade, uma só? Será que o meu coração não é senão palavras?!

sábado, fevereiro 19, 2005

Black out sentimental

Isso. Não penses nela. Não fales sobre o assunto. As palavras doem e já esgotaste o paracetamol amoroso. Ocupa as horas com outras tarefas (nestas situações qualquer coisa é válida - define o teu sentido de voto amanhã, por exemplo...). O curativo das feridas sentimentais, das relativamente superficiais e que não necessitam de sutura, não tem segredo: limpa-se com gaze embebida em tempo, desinfecta-se com tintura de silêncio e por cima usa-se um penso de esperança. Depois é só tomar cuidado para não molhar com salpicos de insensatez. Se fizeres assim, vais ver que quando tirares o penso, já passou.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Castigo

Tive um merecido castigo. Por tentar profanar o que é sagrado.
Tentei introduzir, à socapa, os descrentes no templo. O plano foi por água abaixo... Bem merecido, menina, que te sirva de lição!
Trás-os-Montes é uma Terra Poderosa. Contra aquelas montanhas batem os ventos do litoral e só passam as areias mais finas. Penso que o mesmo acontece com os corações dos forasteiros.
No Mundo Maravilhoso não entra toda a gente. Os badalos dos Caretos, quais espanta-espíritos, afugentam os mal intencionados.
Redutos sacrossantos querem-se como define o adjectivo.
Para lá do Marão... manda a Terra. E ela não quis.

domingo, janeiro 09, 2005

Para pensar

"Tendemos a olhar a vida como um bem inesgotável. E no entanto tudo nos acontece apenas um certo número de vezes, e um número bastante pequeno. Quantas vezes vais lembrar uma certa tarde da tua infância que parece tão fundamental ao teu ser? Umas quatro ou cinco. Talvez nem isso. Quantas vezes irás assistir ao nascer da Lua? Umas vinte. E ainda ssim tudo nos parece não ter limites."
Paul Bowles (Mulheres e Homens, Revista Xis nº 290)

terça-feira, dezembro 28, 2004

Cá dentro

Olho pela janela: lá fora, anoitece.
Em simultâneo, no meu coração, o dia nasce, no que parece ser um amanhecer interminável...
Agrada-me este desfasamento.

Silêncio

Tenho calado as Palavras. Ou elas é que andam mudas.
Não aparecem no papel. Não as encontro no coração.
Talvez andem zangadas comigo. Faltei aos últimos encontros, admito!
Minto... Na verdade, tenho calado as Palavras com medo que elas te invejem...
Por isso, o meu coração vai sussurrar ao teu (para evitar ciumeiras): Adoro-te!

terça-feira, dezembro 14, 2004

Desabafo

Por hoje já chega de auto-comiseração. Já ouvi todas as faixas de músicas depressivas guardadas na minha estante mental propositadamente para estes estados de espírito. Já gastei Kleenex em demasia (Kleenex não, os meus são marca branca Carrefour). Irrita-me este meu desejo de perfeição. Quando não estou à altura, claro! Recordo-me da primeira vez que mo apontaram. Foi uma professora de Ciências Naturais do 8º ano. Escreveu-mo numa dedicatória que tenho, seguramente, algures (já mudei de casa entretanto, mas devo-a ter guardado, eu guardo sempre esse tipo de coisas). Dizia algo do género: Desejo que continues a cultivar o teu perfeccionismo. Senti-me orgulhosa.
E sempre me dei bem com isso. Até há uns tempos. Largos. Em excesso. Nada pior que lidar com o insucesso, sobretudo quando se recusa baixar a fasquia. E eu recuso-me a isso. E depois tenho que me haver com o meu Super-Ego, sempre implacável.
...
Enfim, a dose diária recomendada de sofrimento psicológico auto-infligido já foi atingida (ultrapassada, mesmo!).
Amanhã é um novo dia. Dizem...

domingo, novembro 21, 2004

O jazz da Jacinta

Ontem estive no Casino da Póvoa. Convite para dois, fato escuro, jantar integrado no Festival Gastronómico da Caça: pombo, faisão, coelho bravo, perdiz, veado, javali...
Aceitei ir com o meu pai a este jantar em que fico sentada ao lado de casais na faixa dos 50-60, que praticamente não me dirigem a palavra, a ouvir falar de negócios a noite inteira, só pela Jacinta. Vais gostar, tem boa voz, disse a minha mãe, que já a tinha ido ver com o meu pai ao Rivoli. Fui. Aperaltei-me toda (dentro do informal, não fui de vestido comprido nem nada do género) e preparei-me para morrer de tédio até ao início do espectáculo.
Foi melhor que o previsto: casais na faixa dos 40-50, que me interpelaram por duas vezes e conversas sobre crianças que, na escola, destruiram os estojos dos colegas com uma tesoura e tiveram laranja no comportamento e adolescentes com distúrbios alimentares. A melhorar em relação à última vez que cá estive, pensei.
Foi aí que ela entrou: Jacinta acompanhada de músicos nacionais. A vestimenta era simples (até demais, acho), a atitude humilde, mas gostei da proximidade com o público.
Deixei-me contagiar pelo jazz. Vibrei mesmo. Não estivesse ali e até me levantava para dançar. Os músicos estavam divertidíssimos e eu gosto de espectáculos assim, apetece-me juntar-me a eles.
A actuação não chegou a uma hora, soube a pouco. Mas deixou-me num humor excelente. À medida que o licor era absorvido pelo meu sangue e a música contaminava os meus sentidos, fui sendo invadida pela sensação de que tudo iria correr bem daqui para a frente. Até aquelas baladonas de blues, de uma tristeza alegre, me devolveram uma serenidade que ultimamente não tenho tido. A música sempre teve um efeito muito poderoso no meu estado de espírito.
It was worth it. Agradam-me noites destas. Em que se regressa a casa com a alma a cantarolar uma prece de agradecimento só pelo facto de estarmos vivos...

quinta-feira, novembro 11, 2004

Homicídio premeditado

Sim, acho que o vou fazer. Como diz LGM, o que não se pode resolver, vence-se. E vice-versa.
Vou matar o Amor. Por uns tempos, claro. Não é que o quisesse matar, mas quero enterrá-lo bem fundo, e como não sou uma pessoa cruel custa-me enterrá-lo vivo... Já o matei no passado, então convencida que era de vez, mas ele lá ressuscitou passado uns tempos e julgo, por isso, que a ressurreição é uma propriedade que lhe é inerente. Espero não me enganar. Ao fim e ao cabo, é somente a segunda vez que tento a proeza e, se estiver errada, vou sofrer as consequências do acto para toda a vida (e ainda estou em tenra idade)... Mas acho que vou arriscar. Preciso dele num sítio onde não me incomode, não me perturbe.
Só não sei ainda bem como o vou fazer. Para estas coisas não há protocolos estipulados. Mas talvez comece por deixar de esperar...

quarta-feira, novembro 03, 2004

Sorriso entre as 13:40 e as 14:25

Tive pena que o almoço não tivesse durado mais.
O restante dia não teve mais nada de assinalável.
Só mesmo o teu sorriso contagiante e as boas risadas que demos.
Antes e depois, apenas os livros e a dor surda que não cede completamente à injecção das horas.
Não me interessa dissecar a motivação desse sorriso, o que importa é que há muito que não te via sorrir assim. Deu-me verdadeiro prazer ver esse sorriso.
Foi o momento alto do meu dia.
Ainda bem que não partiste para o Brasil...