Na rádio passava a música das Bangles. Mas era mentira. Não havia sequer o tráfego costumeiro que justificasse qualquer atraso na entrada ao serviço. Às 14:13h a cidade mantinha-se silenciosa. Adivinhavam-se artigos e baixas a rondar o feriado. Até o vento estava de folga. O ar pesava nos brônquios. As gaivotas delineavam os telhados. A tempestade impregnava os corações.
segunda-feira, outubro 30, 2006
sábado, outubro 28, 2006
Last Nomads of Rajasthan
Mal se entrava na sala, o cheiro a incenso. Um painel no palco. A atmosfera estava pronta. Gostei muito. Vibrei mesmo! Do início ao fim, não parei na cadeira. Houve quem saísse a meio. Mas ficou quem gostava. Os trajes multicolores. Os cantares do deserto de Thar. Os tambores, os guizos, as facas, o gingar dos corpos. A música não era só o som; era também movimentos e vestes. Gostei. Muito.
segunda-feira, outubro 23, 2006
Sol de Outubro
El sol de octubre ciñe
al paisaje maduro.
Otorga a lo que vive
su plenitud de fruto.
El aire se hace de oro,
se enjoya de susurros,
panal de los dulzores,
reino del ritmo puro,
melodía de flauta
que derrumba lo oscuro,
entra por la ventana,
dibuja desde el júbilo
seres con sosegada
vocación de desnudo,
criaturas del gozo
que llegan de otro mundo.
al paisaje maduro.
Otorga a lo que vive
su plenitud de fruto.
El aire se hace de oro,
se enjoya de susurros,
panal de los dulzores,
reino del ritmo puro,
melodía de flauta
que derrumba lo oscuro,
entra por la ventana,
dibuja desde el júbilo
seres con sosegada
vocación de desnudo,
criaturas del gozo
que llegan de otro mundo.
Cuaderno de Nueva York, José Hierro
domingo, outubro 22, 2006
quinta-feira, outubro 19, 2006
Things are lookin' up...
O mapinha saiu melhor que as previsões. Há mesmo quem diga que é bom. Resta saber quando se traçam as rotas. Nestas estradas, embora as SCUTs com portagem ou sem ela também possam importar, jogam-se valores mais altos.
terça-feira, outubro 17, 2006
segunda-feira, outubro 16, 2006
Rasganço
Visitar a cidade durante a sua ausência era como folhear as páginas de um diário de memórias, às escondidas. E essa ideia imprimia-lhe um sorriso nos passos e uma curiosidade no olhar.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Pinky clássica
Ele diz 1949. No meu B.I. figuram algarismos diferentes nas dezenas e nas unidades.
O melhor mesmo é fazer a datação com carbono 14, para tirar teimas.
terça-feira, outubro 10, 2006
Imoral(terceira)idade dentro de quatro paredes
Entrou, despachada, no consultório. Setenta e dois anos, boas cores, óptimo estado geral. Queixas? As do costume. Do costume, para quem tem patologia osteodegenerativa da coluna. Não fosse o diagnóstico e os resultados das TCs anteriores estarem escritos no processo da doente, e não se adivinhava só de olhar.
Mediu-se a tensão, auscultou-se, renovaram-se as receitas. E a conversa vai fluindo. Conta a senhora que procura um trabalho. Emprego não, que já não tem idade para isso. Mas um trabalho. Para ter desculpa para não estar todo o dia encafuada em casa, mas sobretudo para ganhar algum dinheiro. Vive com o único filho, nora e neto que já frequenta o secundário. É ela que cozinha, limpa, lava a roupa e engoma para todos. Não escuta sequer uma palavra meiga. Um agradecimento. Fica sempre de fora das férias familiares. E ainda põe dinheiro (uma vintena dos antigos contos) para as despesas da casa. E teve parcos dias estipulados para ir chorar a morte da irmã, aqui há tempos. Que o serviço da casa não podia ficar por fazer. É a nora, diz. Detesta-a. Aguenta-a pelo filho. Pelo neto.
Eu e minha colega entreolhámo-nos. Aconselhámo-la a procurar talvez uma distracção, fazer companhia a pessoas idosas e doentes, grupos de actividades culturais, lembrámos que esforços exagerados poderiam piorar uma situação clínica estável e controlada, indicámos-lhe algumas instituições e grupos... Ela disse que já tinha pensado nisso... Mas não podia estar fora de casa muitas horas. Ai, se eu não faço o serviço!... Prometeu pensar sobre o assunto. No entanto, depois de se despedir, enquanto fechava a porta, ainda nos lançou a pergunta:
- Mas como é que eu, assim, me torno independente?
sexta-feira, outubro 06, 2006
Maleita s.o.e.
Órgãos fortalecidos (músculos, então! os tríceps já aguentam com 40 repetições de 3 Kg cada), visão turva (é das lentes de contacto que já passaram da validade; já encomendei 2 caixas), noites pensativas e despertas (os programas mais interessantes só passam na TV a altas horas). Resistir com um nadinha de esperança. Mas, eu por mim, vou persistindo insistentemente. Nessa coisa de encerrar conscientemente um passado consumado.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Esta semana
4 lugares: Batô, Guarany, ginásio, Bonaparte
4 tempos: 25 anos, 12 anos, 1 mês, 5 meses
4 sabores: café, água tónica, bolachas de canela, chocolate preto
4 leituras: Relatório de Actividades 2005 da Unidade de Saúde dos Guindais, O Cego de Sevilha, Os Indiferentes, Revista Xis de 23 Set
sexta-feira, setembro 15, 2006
A vidente
Esta tarde, quando ia de carro na marginal, um pouco antes de passar debaixo da Ponte da Arrábida, na direcção Ribeira-Foz, vi uma mulher sentada no muro a olhar o rio. Pouco passava das seis da tarde e o céu já vestia de pôr-do-sol. Ao longo desse muro vêem-se sempre vários pescadores, uns solitários, outros em grupo; há sempre gente a correr, de bicicleta, casais amorosos a passear, pares de amigas, turistas. Ela era mulher e estava sozinha, sem parecer esperar ninguém; de pernas cruzadas e cabelos levemente ondulados pelo vento. Hoje o tempo esteve bom, eu levava a janela meia aberta e desejei também fazer parte do cenário. Mas, estranhamente, - pensei de início - a rapariga não estava de costas para os carros a olhar a foz do rio e o poente. Estava de cabeça erguida, voltada para nascente. Não para onde o rio vai, mas de onde ele vem. Para o princípio. Depois entendi. Tinha os olhos bem abertos e a face serena. Estava a aprender a lição. A ouvir a verdade contada pelo cristal líquido. Fitando a direcção contrária. Quando todos olham o desaguar das águas. Fui a pensar nisto o resto do caminho. Achei uma atitude sábia. Também a mim me atraem agora os começos. De tudo. Os fins foram lá atrás.
quarta-feira, setembro 06, 2006
sexta-feira, setembro 01, 2006
Cartas
Cartas. De papel. E com cheiro. A rosas ou a outro perfume suave. Sobretudo as de amor. E porque não as de amizade?, havia conjuntos de cartas e envelopes lindos, com desenhos, odores, e relevos e recortes, escrevi muitas a amigas minhas e lembro-me também de as receber. Coleccionavam-se. Mas, sobretudo, as de amor. Devem ter sido descontinuadas. Hoje em dia isso acontece a muitas outras coisas. Outro dia rompi a pulseira de couro do meu relógio e fui à loja comprar outra. Não havia. Tinha sido descontinuada. Tiveram que enviar o mostrador para a marca. Lá me resolveram o problema. Esperei 3 meses. Andei sem relógio. Perdi a noção do tempo. Mas ontem vi um filme onde havia uma casa sobre um lago. Ou lagoa. E cartas. Muitas. E já me decidi. Acho que vou começar a escrever cartas. Em papel. E a deixá-las numa caixa de correio. A ver o que acontece. Perdi a noção do tempo. Pode ser que aconteça algo. Quem sabe o amor. Não tenho é destinatário. Penso. Primeiro tenho que alugar uma casa no lago. Vivo perto do mar. Bolas! Bolas, não. Cartas.
sexta-feira, agosto 25, 2006
Ironias do Blogger
Pior: não é que quando escrevo o mail no post, ele cria um link, e quando o quero pôr no template, não consigo?!
Acredito que isto tem certamente uma explicação muito simples. Mas que eu desconheço. Desconfio, no entanto, que tem a ver com linguagens HTML e coisas afins. Um mimo. E eu que pensei que a versão Beta era para descomplicar...
Andanças do Blogger
Quem percebe pouco destas coisas é assim. Estava ainda a saborear a minha vitória de ter conseguido actualizar o blog, passando-o à versão Beta, e já desanimo ao ver que não consigo pôr assim ali no cantinho superior direito o meu mail, sim, daqueles com link, em que se carrega e o editor de correio electrónico começa a funcionar...
P.S.: Aceita-se ajuda de blogger caridoso. E para quem estiver interessado, a morada mantém-se: pink4mail@yahoo.com.br
terça-feira, agosto 22, 2006
Breakthroughs em Imunidade humoral
Dados preliminares permitem-me constatar que também se desenvolvem defesas contra as relações amorosas idas. E específicas para o antigénio. E também se produzem IgG, de protecção indefinida (ainda meramente uma hipótese).
Pelo sim, pelo não, vou continuar a fortalecer o meu sistema imune com períodos de exposição moderada ao sol e banhos de mar, nas iodadas praias nortenhas.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Chavões de Enfermaria
- Quem foi o médico que prometeu uns exames ao doente da cama 13?
- Ao senhor M.? Fui eu, Sr. Enfermeiro. Mas quem o ouvir dizer isso... O homem vai mesmo fazer um Rx tórax, já está pedido e até já liguei para os técnicos lá em baixo. Os mensageiros é que nunca mais aparecem para levar o doente.
- Ai, Doutora, Doutora... É que o homem nunca mais se cala a perguntar quando é que vai fazer o exame. É que sabe, os doentes são como as mulheres: não se lhes pode prometer nada.
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