Um ano mais cor-de-rosa. Na blogosfera, pelos menos. Na minha vida? Talvez, penso que sim... Quanto mais não seja porque agora tenho a Semiologia feita!
segunda-feira, abril 25, 2005
domingo, abril 10, 2005
O teu sms tornado post
Temos de aprender a respeitar as prioridades que sabemos que existem. Viver todos os dias cansa, mas morrer todos os dias cansa muito mais.
espaço
Parabéns! Thank you for always being here.
quinta-feira, março 31, 2005
Desamor e Grécia
Tenho andado ausente. A viver um desamor. Não me tem apetecido falar muito dele. Ontem, por acaso, foi excepção, mas o Blogger não quis que eu postasse. Talvez tenha sido melhor assim. Faltava o teu derradeiro telefonema. Mais uma discussão. A última. Tenho a convicção, de força crescente com o passar das horas, que se falássemos em Grego nos entenderíamos melhor. Assim, realmente, é impossível.
Aliás, fico a rir-me com a ironia do destino. Ontem, quase à hora do jantar, a fazer zapping, deparo-me com um filme no canal Hollywood passado em Santorini. Já não apanhei o título e, infelizmente, não o pude ver até ao fim. Também eu estive na praia de Perissa, fui a Akrotiri, visitei o vulcão e vi aquele pôr-do-sol único no mundo.
Quando falamos os dois, não comunicamos, trocamos somente palavras. É curioso, já vivi situações de comunicação sem haver uma língua, um código comum... Mas haver código comum sem haver comunicação é mais espantoso e frustrante (sim, bem sei que os elementos da comunicação são vários, mas estou apenas a centrar-me naqueles que são diferentes).
Pois é, não dá mesmo. Até porque eu arranho o Grego e tu só falas Português.
segunda-feira, março 07, 2005
Arrumações
Enchi 9 pastas de arquivo morto. As pilhas de fotocópias que já se amontoavam no chão, estão agora no interior de várias capas de lombada larga. O quarto levou uma limpeza geral. Apetece-me escrever, mas não acho as palavras. Certamente foram também deitadas fora, juntamente com os papéis esvaziados do cesto. Quero escrever sobre o filme que fui ontem ver ao cinema, sobre o que sinto por ti e sobre o que li em alguns posts noutros blogues, mas não me sai nada. Será que deitei fora só as palavras, ou, sem querer, esvaziei o coração? Será que as duas coisas que enunciei atrás não são, na verdade, uma só? Será que o meu coração não é senão palavras?!
sábado, fevereiro 19, 2005
Black out sentimental
Isso. Não penses nela. Não fales sobre o assunto. As palavras doem e já esgotaste o paracetamol amoroso. Ocupa as horas com outras tarefas (nestas situações qualquer coisa é válida - define o teu sentido de voto amanhã, por exemplo...). O curativo das feridas sentimentais, das relativamente superficiais e que não necessitam de sutura, não tem segredo: limpa-se com gaze embebida em tempo, desinfecta-se com tintura de silêncio e por cima usa-se um penso de esperança. Depois é só tomar cuidado para não molhar com salpicos de insensatez. Se fizeres assim, vais ver que quando tirares o penso, já passou.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Castigo
Tive um merecido castigo. Por tentar profanar o que é sagrado.
Tentei introduzir, à socapa, os descrentes no templo. O plano foi por água abaixo... Bem merecido, menina, que te sirva de lição!
Trás-os-Montes é uma Terra Poderosa. Contra aquelas montanhas batem os ventos do litoral e só passam as areias mais finas. Penso que o mesmo acontece com os corações dos forasteiros.
No Mundo Maravilhoso não entra toda a gente. Os badalos dos Caretos, quais espanta-espíritos, afugentam os mal intencionados.
Redutos sacrossantos querem-se como define o adjectivo.
Para lá do Marão... manda a Terra. E ela não quis.
domingo, janeiro 09, 2005
Para pensar
"Tendemos a olhar a vida como um bem inesgotável. E no entanto tudo nos acontece apenas um certo número de vezes, e um número bastante pequeno. Quantas vezes vais lembrar uma certa tarde da tua infância que parece tão fundamental ao teu ser? Umas quatro ou cinco. Talvez nem isso. Quantas vezes irás assistir ao nascer da Lua? Umas vinte. E ainda ssim tudo nos parece não ter limites."
Paul Bowles (Mulheres e Homens, Revista Xis nº 290)
terça-feira, dezembro 28, 2004
Cá dentro
Olho pela janela: lá fora, anoitece.
Em simultâneo, no meu coração, o dia nasce, no que parece ser um amanhecer interminável...
Agrada-me este desfasamento.
Silêncio
Tenho calado as Palavras. Ou elas é que andam mudas.
Não aparecem no papel. Não as encontro no coração.
Talvez andem zangadas comigo. Faltei aos últimos encontros, admito!
Minto... Na verdade, tenho calado as Palavras com medo que elas te invejem...
Por isso, o meu coração vai sussurrar ao teu (para evitar ciumeiras): Adoro-te!
terça-feira, dezembro 14, 2004
Desabafo
Por hoje já chega de auto-comiseração. Já ouvi todas as faixas de músicas depressivas guardadas na minha estante mental propositadamente para estes estados de espírito. Já gastei Kleenex em demasia (Kleenex não, os meus são marca branca Carrefour). Irrita-me este meu desejo de perfeição. Quando não estou à altura, claro! Recordo-me da primeira vez que mo apontaram. Foi uma professora de Ciências Naturais do 8º ano. Escreveu-mo numa dedicatória que tenho, seguramente, algures (já mudei de casa entretanto, mas devo-a ter guardado, eu guardo sempre esse tipo de coisas). Dizia algo do género: Desejo que continues a cultivar o teu perfeccionismo. Senti-me orgulhosa.
E sempre me dei bem com isso. Até há uns tempos. Largos. Em excesso. Nada pior que lidar com o insucesso, sobretudo quando se recusa baixar a fasquia. E eu recuso-me a isso. E depois tenho que me haver com o meu Super-Ego, sempre implacável.
...
Enfim, a dose diária recomendada de sofrimento psicológico auto-infligido já foi atingida (ultrapassada, mesmo!).
Amanhã é um novo dia. Dizem...
domingo, novembro 21, 2004
O jazz da Jacinta
Ontem estive no Casino da Póvoa. Convite para dois, fato escuro, jantar integrado no Festival Gastronómico da Caça: pombo, faisão, coelho bravo, perdiz, veado, javali...
Aceitei ir com o meu pai a este jantar em que fico sentada ao lado de casais na faixa dos 50-60, que praticamente não me dirigem a palavra, a ouvir falar de negócios a noite inteira, só pela Jacinta. Vais gostar, tem boa voz, disse a minha mãe, que já a tinha ido ver com o meu pai ao Rivoli. Fui. Aperaltei-me toda (dentro do informal, não fui de vestido comprido nem nada do género) e preparei-me para morrer de tédio até ao início do espectáculo.
Foi melhor que o previsto: casais na faixa dos 40-50, que me interpelaram por duas vezes e conversas sobre crianças que, na escola, destruiram os estojos dos colegas com uma tesoura e tiveram laranja no comportamento e adolescentes com distúrbios alimentares. A melhorar em relação à última vez que cá estive, pensei.
Foi aí que ela entrou: Jacinta acompanhada de músicos nacionais. A vestimenta era simples (até demais, acho), a atitude humilde, mas gostei da proximidade com o público.
Deixei-me contagiar pelo jazz. Vibrei mesmo. Não estivesse ali e até me levantava para dançar. Os músicos estavam divertidíssimos e eu gosto de espectáculos assim, apetece-me juntar-me a eles.
A actuação não chegou a uma hora, soube a pouco. Mas deixou-me num humor excelente. À medida que o licor era absorvido pelo meu sangue e a música contaminava os meus sentidos, fui sendo invadida pela sensação de que tudo iria correr bem daqui para a frente. Até aquelas baladonas de blues, de uma tristeza alegre, me devolveram uma serenidade que ultimamente não tenho tido. A música sempre teve um efeito muito poderoso no meu estado de espírito.
It was worth it. Agradam-me noites destas. Em que se regressa a casa com a alma a cantarolar uma prece de agradecimento só pelo facto de estarmos vivos...
quinta-feira, novembro 11, 2004
Homicídio premeditado
Sim, acho que o vou fazer. Como diz LGM, o que não se pode resolver, vence-se. E vice-versa.
Vou matar o Amor. Por uns tempos, claro. Não é que o quisesse matar, mas quero enterrá-lo bem fundo, e como não sou uma pessoa cruel custa-me enterrá-lo vivo... Já o matei no passado, então convencida que era de vez, mas ele lá ressuscitou passado uns tempos e julgo, por isso, que a ressurreição é uma propriedade que lhe é inerente. Espero não me enganar. Ao fim e ao cabo, é somente a segunda vez que tento a proeza e, se estiver errada, vou sofrer as consequências do acto para toda a vida (e ainda estou em tenra idade)... Mas acho que vou arriscar. Preciso dele num sítio onde não me incomode, não me perturbe.
Só não sei ainda bem como o vou fazer. Para estas coisas não há protocolos estipulados. Mas talvez comece por deixar de esperar...
quarta-feira, novembro 03, 2004
Sorriso entre as 13:40 e as 14:25
Tive pena que o almoço não tivesse durado mais.
O restante dia não teve mais nada de assinalável.
Só mesmo o teu sorriso contagiante e as boas risadas que demos.
Antes e depois, apenas os livros e a dor surda que não cede completamente à injecção das horas.
Não me interessa dissecar a motivação desse sorriso, o que importa é que há muito que não te via sorrir assim. Deu-me verdadeiro prazer ver esse sorriso.
Foi o momento alto do meu dia.
Ainda bem que não partiste para o Brasil...
O restante dia não teve mais nada de assinalável.
Só mesmo o teu sorriso contagiante e as boas risadas que demos.
Antes e depois, apenas os livros e a dor surda que não cede completamente à injecção das horas.
Não me interessa dissecar a motivação desse sorriso, o que importa é que há muito que não te via sorrir assim. Deu-me verdadeiro prazer ver esse sorriso.
Foi o momento alto do meu dia.
Ainda bem que não partiste para o Brasil...
quinta-feira, outubro 28, 2004
Amizade
Ao J.F.
És as páginas do meu diário secreto
És o eco do meu grito incompleto
És o cofre que guarda as lágrimas dos meus olhos
Como se de preciosos diamantes se tratassem.
És o chilrear dos passarinhos
Que me acorda, de manhã, e me dá os "bons dias".
És a flor, és a pedra do caminho
Que tudo sabe, mas que cala.
És a concha pousada na fina areia da praia,
Que dentro guarda as notas de melodias inéditas.
És a frescura da água das fontes
Que mata a minha sede de viajante fatigado.
És o leito, suave, macio, delicado
Onde me deito, confiante e a sorrir
E onde adormeço, segura, protegida
Sob os lençóis, tão macios!,
De Amizade feitos...
Escrito a 12/03/1997, às 21:45h
O fim de uma pausa prolongada
Decidi, afinal, não te escrever o post que andava a marinar há tempos. Preferi, antes, resgatar um poema (Amizade), que te escrevi há 7 anos (atenta bem na data), e julgo nunca te ter mostrado. Algo pueril, agora, mas sincero como o são os sentimentos na adolescência. Porque, no fundo, foi esse tempo que retomámos este Verão. E ficámos a rir-nos dos caprichos de Saturno, que interromperam a nossa amizade, mas não a quebraram. Porque a Amizade tem esse dom (entre outros): ser capaz de resistir ao Tempo.
Ainda bem. Que assim se preserve.
sábado, outubro 23, 2004
A digestão da mentira
Acabo de confrontar-me com a tua mentira. Agora mesmo. Sem dar tempo ao pensamento, cliquei no Blogger e aqui me encontro, a digeri-la. Sim, é isso que se sente, um baque no peito, uma indisposição gástrica, o cérebro às voltas... Não consigo perceber por que mentiste, mas sei que a tentativa de compreensão do facto me vai ocupar o resto do serão. É certo que assim será. É este o poder da mentira. O baque vai virar dor, a indisposição progredirá para dispepsia franca e o redemoinho de pensamentos culminará em cefaleia. Felizmente, já inventaram os coxibes.
Amanhã estarei de volta.
sexta-feira, outubro 22, 2004
Mais sonhos
Acordei. Dobrei com todo o cuidado o sonho. Dobrei-o quatro vezes.
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Em Arcas de Sonhos, de Renato Roque
segunda-feira, outubro 18, 2004
Pergunta e resposta
- És uma pessoa apaixonada?
- Sim, sou. Pela vida, em geral, e por ti em particular.
sábado, outubro 16, 2004
Sonhos
As minhas mãos estavam molhadas com o suor do sonho. Cheiravam a mel e a margaridas. Levantei-me da cama e entrei na casa de banho. Abri a torneira da água quente e lavei as mãos. Só água muito quente permite tirar o cheiro de um sonho das mãos. Os restos do sonho soltaram-se quando já não conseguiam suportar a temperatura da água. Vi-os escoarem-se pelo ralo do lavatório. Enxuguei as mãos e levei-as ao rosto. Senti ainda uma réstia de um cheiro a tulipas. Os meus olhos piscaram ao ritmo do bater das asas de uma borboleta. Algumas imagens dispersas cruzaram pela última vez a minha memória.
Em Arcas de Sonhos, de Renato Roque
quarta-feira, outubro 13, 2004
Sensatez - II
Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz
Nunca mais voltes à casa
Onde ardeste de paixão
Só encontrarás erva rasa
Por entre as lajes do chão
Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado
São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez
Por grande a tentação
Que te crie a saudade
Não mates a recordação
Que lembra a felicidade
Nunca voltes ao lugar
Onde o arco-íris se pôs
Só encontrarás a cinza
Que dá na garganta nós
São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz
Nunca mais voltes à casa
Onde ardeste de paixão
Só encontrarás erva rasa
Por entre as lajes do chão
Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado
São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez
Por grande a tentação
Que te crie a saudade
Não mates a recordação
Que lembra a felicidade
Nunca voltes ao lugar
Onde o arco-íris se pôs
Só encontrarás a cinza
Que dá na garganta nós
São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez
Carlos Tê / Rui Veloso
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