domingo, março 23, 2008

Chama

Com a paixão vem a loucura, a urgência. O mundo é uma coisa muito longe.
Não é que não sinta igual. Mas tenho também a lição aprendida da decepção.
Por isso, peço-te paciência. Para o meu medo ir cedendo com vagar.
Também eu quero arder na chama. Mas não numa labareda fugaz. Nem tão pouco em lume brando.
Antes, numa fogueira grande, daquelas ao ar livre, à qual vamos adicionando, eu e tu, alternadamente, grossos troncos de madeira.

O trio escola-família-hospital

Aconteceu no Carolina Michaelis, mas podia ter acontecido em qualquer outra escola do grande Porto. Pode-se tentar colocar a culpa no tipo de alunos que frequentam o liceu (sim, vou tratar o Carolina por liceu): podemos alegar que a envolvência habitacional do liceu é complicada. Que há certos bairros. Podemos advogar que a professora já não é jovem, que não tem a constituição física para fazer frente a uma aluna espigada e mal-educada do 9º ano. De facto, não acredito que a população de alunos do Carolina Michaelis tenha mudado assim tanto na última década e, além disso, os professores são professores; não têm que ser cinturão negro de judo ou praticar boxe. Mais, isso são apenas desculpas e, creio, não vão ao âmago da questão.
O problema, contrariamente ao que ouvi um colega Psiquiatra comentar na TV (não podiam ter escolhido alguém que mais longe estivesse da realidade dos adolescentes e das escolas), na minha opinião, radica precisamente na família. Ou na alteração da dinâmica que a mesma vem sofrendo. É um problema social e só quem não percebe nada disso é que pode afirmar que os pais não têm nada a ver com o que os filhos fazem nas aulas. As nossas crianças, com pais que trabalham todo o dia fora e quantas vezes longe de casa, que mal os vêem à noite e com os quais não conversam, atiradas para frente das televisões e dos computadores, agarradas aos telemóveis à mesa nos restaurantes, andam absolutamente desacompanhadas e pouco sabem - entre tantas outras coisas - do que seja uma figura de autoridade e de como a respeitar. Que isto vai de mal a pior, qualquer pessoa sensata já conseguiu perceber. A solução para o problema? Também não a tenho, não é de todo a minha área. Mas o problema, esse, é fácil de diagnosticar.
São as famílias. A falta delas, o facto de pai e mãe, ou figuras equivalentes, trabalharem todo o dia fora de casa e não terem a menor ideia do que se passa com os filhos. São estas mesmas famílias que, pelos mesmos motivos, abandonam os velhos doentes nas camas dos hospitais e nos deixam a tarefa de tentar pô-los na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Que está a rebentar pelas costuras - o ministério diz que não - e não consegue dar resposta a todos os casos. Porque há velhos a mais. Ou melhor, há os que seria de esperar numa população a envelhecer e à qual a Medicina vai prolongando a vida. É isso mesmo. Os culpados são os mesmos. Os que abandonam os seus filhos nas escolas e os seus pais nos hospitais e querem que professores e médicos resolvam tudo. Mas as coisas não se resolvem assim, meus caros.
Eu estudei no Carolina Michaelis e já no meu tempo - até parece que sou velha - havia turmas problemáticas e rixas nos recreios. E violência contra professores. Mas eram casos mais pontuais. De qualquer forma, eu passei por lá e estou aqui. Mas confesso que me assusta a ideia de no futuro ter filhos a frequentar as nossas escolas. Por várias ordens de razões. Contudo, mantenho a esperança de até lá alguém conseguir resolver a equação. Mesmo num país tradicionalmente mau a Matemática.

domingo, março 16, 2008

Do ficar

Às vezes é mau ficar. Sobretudo quando se deseja ir. Quando se merece ir.
Mas o destino presenteou-me em troca.
Às vezes é bom que o plano não corra como o esperado.
E ainda tive a oportunidade de me ficar a rir. Que se lixem.
I'm glad they didn't allow me to go.

quarta-feira, março 12, 2008

Birthday

Se o mundo fosse criado hoje... éramos gémeos. Parabéns mundo!



domingo, março 09, 2008

6 insignificâncias sobre a minha pessoa

Francisco Carvalho, meu caro, desculpa-me a demora mas aqui fica a resposta ao teu desafio (dias antes o Sniper tinha-me colocado o desafio anterior, e eu que ando com tão pouca disponibilidade). Mas agradeço e respondo, é sempre um prazer!
.
.
1. Gosto de cantar no banho.
2. O meu prato favorito - pasmem! - é panados de peru com arroz de ervilhas e salada. Foi algo que ficou da infância e está instituído de tal forma que é o menu anual do Domingo de Ramos em casa da madrinha. Mea culpa!
3. Gosto de me levantar tarde e deitar tarde também; sou noctívaga e gosto bastante de trabalhar nas horas nocturnas, no sossego da casa. Hábitos que se harmonizam pouco com a minha profissão e que volta e meia me causam alguns dissabores...
4. Também adoro praias desertas. Eu que sempre gostei mais do campo, nos últimos anos tenho dado por mim a gostar dessa imensidão de céu, mar e areia. De preferência com poucas pessoas.
5. Também nunca esqueço uma cara, mas sou péssima com nomes.
6. Sou aracnofóbica.
.
E lá vou avisar-vos.

quinta-feira, março 06, 2008

12 palavras

Fui apanhada na cadeia das 12 palavras.

Assim, aqui vão as minhas favoritas (claro que em outra ocasião poderia não escolher precisamente estas 12, mas avante com o desafio):

- palavra: porque é das coisas que mais me diz na vida e porque ela mesma diz também todas as coisas;

- bliss: em inglês, pois claro!, da qual adoro a sonoridade e o sentimento;

- Porto: porque é o nome da minha cidade e porque nos últimos anos, agora exacerbado pela saudade e pela distância, é de lá que me sinto. Onde quer que passe o resto da minha vida, o salto terá sido sempre do Porto para o mundo.

- Trás-os-Montes: graficamente bela, esta palavra composta encerra a minha segunda morada afectiva e quase toda a minha família;

- amor: de todos os tipos e feitios, para mim o sentimento mais nobre. Fosse esta uma lista de sentimentos, e este vinha à cabeça;

- medicina: mais do que uma profissão, é algo que professo todos os dias; e de que gosto intensamente.

- sonho: porque sonho muito, acordada e a dormir, e creio que é mesmo isto que faz o mundo avançar,

- exquisite: porque me recordo perfeitamente do momento em que me ensinaram o significado desta palavra, tinha eu quatorze anos, no interior de uma igreja inglesa;

- cisco: porque é uma palavra que a minha avó e a minha mãe usam muito, não tenho a certeza se é um regionalismo, mas acho-lhe graça e também a uso frequentemente;

- mãe: porque há só uma, amo a minha e acho a maternidade fantástica;

- café: sou viciada nele, bebo vários por dia, e porque ir beber um é sempre um excelente pretexto para imensas coisas, nomeadamente estar com os amigos;

- amigo: é das coisas mais valiosas que se pode ter.


Agora vem a parte difícil de passar a brincadeira a 12 pessoas... E como não há 12 pessoas com quem eu tenha proximidade suficiente para passar a responsabilidade, imagino que algo de mau me irá acontecer! Bem, terei que passar só a meia dúzia e aguardar os desígnios da sorte.
.
.
.
.
.

Constatação

Preciso de férias.

domingo, março 02, 2008

Corre-Portugal

Manhã na Urgeiriça, tarde em Coimbra e noite na Póvoa de Varzim.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Expressões caricatas

- Sabe, Dra., sofro muito dos ossos porque aos 45 anos tiraram-me as miudezas.

Doente do sexo feminino, 75 anos

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Começar o dia

A minha pele no interior do teu abraço, a maresia a encher-me os pulmões, a vista do mar pela manhã.

domingo, fevereiro 24, 2008

Numa rua com nome de jornal

Conhecemo-nos há metade das nossas vidas. Tudo começou naquele liceu frente ao Estádio do Bessa, naquela rua com nome de jornal. Tudo, ou quase. Começámos nós, de certa forma.
Conhecemo-nos do avesso, atravessámos tudo, as aulas, a adolescência, a noite, os amores grandes e pequenos, os eventos culturais da cidade, as bebedeiras, as horas penduradas no telefone fixo, os reveses, as férias, as casas e as famílias uns dos outros, a entrada na Universidade, a saída do Porto e do país. Atravessámos tudo e espero que o continuemos a fazer.
Eu sei que vocês sabem, mas a vida é matreira, e há coisas que nunca devem ficar por escrever.
Amo-vos de coração.
A partir dos 50%, meus amigos, é sempre a subir.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Menu da paixão

A paixão foi servida entre risadas e peripécias.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Dot four

Motherfuckers.

domingo, fevereiro 10, 2008

Again

A sala despida, o branco das paredes a ferir a vista. Os móveis grandes amontoados num canto. Os armários calafetados.
Assim estou, restrita a um quarto atulhado, uma casa-de-banho e uma cozinha.
Sei bem que não é nenhum drama, mas sintonizo com a sala na sensação de vazio.
Amanhã, no regresso, tudo irá estar ainda mais desalinhado e coberto por um fino pó branco.
Detesto obras em casa comigo dentro.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Interlúdio

Colei nesta.

Sempre rolando

Ultimamente, sinto não ter tempo para respirar. Tudo parece desenrolar-se independentemente da minha volição. Sinto que não controlo nada na minha vida. Não sou dona do meu tempo, dos meus humores, já nem mesmo do meu coração.
Ou isto vai correr muito bem ou muito mal.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Florbela

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

domingo, fevereiro 03, 2008

Cenário de guerra

A nossa bancada de trabalho é, cada vez mais, uma trincheira.
Amanhã tenho outra batalha pela frente.

Momentos de glória

- Você é uma craque, você tem vocação para a Medicina.

Analogias

Numa avaliação ainda superficial, assemelha-se a um AVC. De início súbito, incapacitante, que amedronta e deixa sequelas (das boas).
E de prognóstico ainda reservado.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Aviso à navegação (em águas cor-de-rosa)

Por motivos profissionais, o blog estará em banho-maria até inícios de Fevereiro.

domingo, janeiro 20, 2008

Gatos

Quem me conhece sabe que prefiro cães. Mas confesso ter, recentemente, desenvolvido um gosto especial por gatos. Dos que arranham.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Running out of time

Escudei-me nas lentes. E na injecção conjuntival. Há alergias oportunas.
A água insistentemente a ressurgir-me nos olhos, enquanto fixava os dele. A busca das palavras que, não fugindo à verdade, lhe expliquem o desenrolar das coisas e não lhe roubem as noites de sono. Preciosas. Nem a tranquilidade. Difícil. Dias passados numa cama contados à cadência de horas passadas numa cama, em boa verdade, minutos que não passam, que escorrem mais lentos que as gotas de soro que lhe entram nas veias ao ritmo de uma por segundo. Os olhos da família fincados em mim. O meu sorriso, aberto, a mão sobre a dele, o ter que dar a explicação deixada em branco pelo cirurgião. Não me apoquentou, apesar de tudo. Ele entende-me bem - aliás, ele entende tudo muito bem, é novo, tem a nossa lucidez e outra ainda, a de quem carrega a doença no corpo - a ele é que os outros não entendem, a maldita da doença até a fala lhe levou. É preciso resignação e o estabelecimento de um código. Isso já temos. E temos o tempo. Esse malfadado tempo que surge a cada passo nas perguntas. Giram todas à volta dele. Do tempo, claro. E vou respondendo às várias perguntas, mas a derradeira questão, essa, fica por responder. Vai-se respondendo à pergunta do tempo com mais tempo - Vamos aguardar um pouco, Um dia de cada vez -. E assim vamos passando o tempo. Que ambos sabemos que se lhe esgota, sobretudo quando lhe peço paciência. Essa também se lhe começa a esgotar. A qualquer um de nós no lugar dele. E à família, que atravessa agora a fase de negação. É muito duro dizer a uma família que o desfecho vai ser o pior possível, mesmo quando isso significa o fim do sofrimento. E eu vou aprendendo, com o tempo, a lidar com isso. Hoje, parece-me que nunca serei capaz de o dizer sem lágrimas a nascerem-me nos olhos. Mas vamos dar tempo ao tempo. Até nisso o malfadado nos rouba.

Guitarras tricanas

Esta noite ouvi, pela primeira vez, Fado de Coimbra.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

De porta a porta

são 122,8 Km. Que me dão prazer. Gosto de conduzir.

domingo, janeiro 13, 2008

Liberdade

Dar liberdade ao outro implica maturidade e paciência.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Frase da noite

Todas as decisões finais são políticas.

Correia de Campos, Prós e Contras
.
P.S.: Também não perdeste nada, Besugo.

Para onde vai a Saúde?

Estamos super-hiper-mega-ri-fixes equipados de ambulâncias, helicópteros, desfibriladores, trombolíticos e pessoal especializadíssimo no pré-hospitalar (não estamos, mas assumamos que sim). Agora ninguém se preocupa é o que acontece com os doentes depois de cruzarem a porta do hospital. A nível de meios, pessoas e formação. A história de Aveiro dá aos leigos uma ideia. Eu cá tenho as minhas. Mas o Sr. Ministro não está preocupado. Eu se fosse ele e tivesse que recorrer a uma consulta aberta num Centro de Saúde ou a uma Urgência hospitalar também não. E claro, não viver em Anadia, Cantanhede e São Pedro do Sul também dá uma ajuda.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Frase do dia

(no banco)
.
- Sabes, podemos pecar muito!
- Hã?... [a minha expressão de incompreensão e curiosidade]
- Sim, se me mandarem para o Inferno já sei como é; de certeza que não pode ser pior que isto.

sábado, janeiro 05, 2008

Addiction

Estou viciada nesta música. Não tem nenhuma particularidade especial. A letra não é fora do normal. Mas entra fácil no ouvido, a guitarra liga muito bem com o tempo do lado de fora da janela e gosto quando ele diz Hey there Delilah.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Lame excuses

O Dr. Correia de Campos escuda-se atrás do facto do Bastonário ser interino e não comentar as críticas dele. Todos [sim, nós, os que estamos no terreno] estamos fartinhos de saber que as Urgências dos hospitais estão a rebentar pelas costuras.

Update

Obrigada a todos pelas palavras e o apoio. Vou sobrevivendo. Entre o temporal, a casa-de-banho escavacada, os bancos depois do fecho de Anadia e a prova que se avizinha.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Passagem

Foi a entrada num novo ano mais sem-vontade que já passei. Não fiz projectos, não me meti em balanços, não sonhei coisas novas. Não celebrei nada.
Pode ser que o ter passado assim à socapa faça com que 2008 não me venha bater à porta com chatices.

sábado, dezembro 29, 2007

Esventrar

Vão-me esburacar a casa toda.

Porque um azar nunca vem só...

chove na sala de estar da minha casa nova.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

God forbid

Mais do que da doença, Deus nos livre, quando formos velhos, de uma família que se demita das suas responsabilidades.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Bridge with a view

Hoje, seriam umas 7.10h, bem a meio da travessia da Ponte da Arrábida veio-me à ideia - como, de resto, agora acontece invariavelmente sempre que ali passo - o excerto de um diálogo:

Ele: É aqui que choras?
Eu [sorriso cúmplice e nó na garganta]: Sim...

domingo, dezembro 23, 2007

A César o que é de César

A Invicta com mais espaço para respirar. Regozijo-me, obviamente.

Doesn't smell like Xmas

Ela: Sabes...? Este ano não me cheira nada a Natal...
Eu: Sei. A mim também não.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

À espera

Será que não chegaste ainda? O mau tempo obrigou-te a trocar as asas por carris? Ou não vens de todo?

quarta-feira, dezembro 19, 2007

A Tempestade

Aqui não há o som do mar revolto a embater nos pontões, esse barulho que nos rouba ao sono no decurso da noite, esse ruído de desassossego a encher a escuridão, e que nos tolhe os músculos do corpo e nos faz aproximar da face, muito a custo, os cobertores. Não há a luz do farol a varrer o breu, bússula dos homens do mar. Não há gaivotas em cima dos telhados nem os seus arrulhos aflitivos, nem a humidade tem o mesmo peso na balança atmosférica.
Mas há vento que obriga, que enregela, que, igualmente possante, zoa nos ouvidos e nas frinchas das portas e janelas.
Não há mar, mas há tempestade. E o medo que ela sempre traz.

Deduções ilógicas

Em Coimbra envelhece-se mais cedo.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Quatorze

Foi há um ano. Embora não raras vezes me questione (é uma questão de índole), o saldo continua positivo.

Para a frente é que é o caminho.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Symptoms and signs involving emotional state

Sick and tired of it, NOS

terça-feira, dezembro 11, 2007

Há posts como faróis em noite de tempestade, de uma embarcação há muito perdida no mar do passado

Hoje ensinaram-me que há uma coisa mais obstinada que o tempo. Chama-se desejo.

Pink smile

Então hoje vai de pink!, disseram-me. Sim, sim, o sorriso não engana.

Em casa

Quando o sol me bate na cara e o vento me revolve os cabelos, na cercania da Praça dos Leões, sei que estou em casa.

Encontro Singular

O Progresso juntou-nos. Puseram-se várias coisas a Nu. As culpadas foram a cidade e as letras, paixões de toda uma vida. Que vão ardendo aqui e lá fora.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Bom dia!

atirado aqui assim da Invicta.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Solitudine

Pousou o telefone com um peso no coração. Ainda lhe ressoavam nos ouvidos as palavras de medo e pesar da avó. E concluiu: a solidão era a pior doença de todas.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Desaguisados

Hoje foi dia deles (desaguisado é uma palavra muito em uso por cá, a que eu acho imensa graça e que me dá gozo ficar a repetir, assim, vezes seguidas...).
.
Valeu-me uma carta que recebi.

domingo, dezembro 02, 2007

Vaya Con Dios

E o espectáculo terminou assim.

sábado, dezembro 01, 2007

História

O post anterior é irrelevante. Ou melhor, contém uma palavra fulcral: reencontro. Que não aflora sequer o que teve lugar. Não foi um qualquer reencontro. Foi um reencontro histórico. Na minha vida pessoal, entenda-se, o resto do mundo prossegue a sua história. Mas na minha houve uma ruptura. De certa forma, haverá um antes e um depois de ontem. Absolutamente inesperado. Os vírus trouxeram-te a Coimbra. E até isso foi um pouco fortuito. De repente olhei, e lá estavas tu. Desde esse momento, o meu corpo foi tomado por um nervoso miudinho. Hesitei por segundos. Mas ainda há tempos tinha tentado saber notícias tuas. Reúno a coragem e abordo-te. A tua surpresa. Saímos da sala, numa hora (mais? menos? não contei e perdi literalmente a noção do tempo) pusemos parte da conversa em dia. Quatro anos de silêncio. Levei-te ao meu Serviço, memorizaste o meu número no teu novo telemóvel (eu nunca tinha perdido o teu, embora duvidasse que o número ainda se mantivesse). Confessei ter-te avistado no Molhe, confessaste ter-me visto de relance no São João. Quatro anos de silêncio. Que tu escolheste, é certo. Sempre me entristeceu isso, não havia justificação. Despudoradamente, pergunto-te se não queres conhecer a minha casa nova. Infelizmente não podes, vais regressar de boleia dali a pouco, urgência no dia seguinte. Quatro anos depois. Depois de teres cortado relações comigo (que disparate!). Não sou rancorosa, como sabes, e perdoei-te isso. E suportava até que me ignorasses nos corredores do hospital. E o curioso foi a sensação de familiaridade constante. Como se os quatro últimos anos da nossa vida não tivessem existido. E o momento em que afirmas que a tua última vinda a Coimbra tinha sido "quando vim contigo". Aliás Coimbra para mim, na idade adulta, é isso: esse dia que passámos aqui, há uns anos. Combinou-se encontro para um copo no Porto. Que suspeito não se vir a concretizar. Mas dou-me por feliz desta quebra de silêncio. Basta-me isso. Foste o meu maior amor até hoje e aquele silêncio era totalmente descabido. Coimbra voltou a ser ontem, para mim, a Cidade dos Amores. Idos, é certo, mas dos amores. E se não for por mais nada, já valeu a pena ter vindo viver para cá. Para escrever esta página de história.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Hepatobiliares

Os acontecimentos de hoje duplamente prejudicados por essa coisa que são os automóveis.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Urgências

Esta é dedicada ao Francisco Carvalho.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Tristeza

É pena. Provavelmente o meu grupo português preferido.

terça-feira, novembro 27, 2007

Açougue

- Tenho que ir ler umas coisas de fígado...
- A forma como dizes isso,... parece que estás no açougue.

.
Não estou mas parece. Os nossos cirróticos têm morrido como tordos. Digo, como animais para abate.

Cosas raras

Alguien me lee en Caracas.

domingo, novembro 25, 2007

Empregado

No fim de me escrever o valor dos consumos no papel - particularidades de uma certa Pastelaria, a que até aprendi a achar alguma graça - acrescentou Continuação de uma boa tarde de Domingo. Uma bola fora, pensei - jargão consonante com o que vai passando na TV. Mas não o quis desiludir, sobretudo na aproximação de um final de dia de trabalho. E por respeito a isso, esbocei um sorriso e agradeci.

sábado, novembro 24, 2007

Os tempos

O jornal acabou de descer na minha consideração. É medir o nível de alcoolemia da malta que fez o ranking.

Viver

Pode-se viver a vida toda numa semana. A questão está em saber o que se faz com o resto dos dias, no resto do tempo.

sexta-feira, novembro 23, 2007

quarta-feira, novembro 21, 2007

Rx

A final bit of advice that applies to other areas of medicine also, the only way to gain competence and keep it is to practice, practice, practice, and then practice some more.

Luxos

(...)
Ele: E não há nada que eu possa fazer enquanto espero...? Tenho mesmo de estar aqui à espera das análises 3 horas?
Eu: Bem,... não é obrigado a nada, se quiser assinar um termo de responsabilidade e ir embora...
Ele: Não há assim uma Internet, um Messenger que eu possa usar, têm aí os computadores (a apontar para aquele onde eu estava a ver a radiografia de uma doente)...
Eu: Pois, mas estes, como compreenderá são para nós trabalharmos...
Ele: Enfim, é uma tristeza, não há condições... A pessoa quando vem ao hospital, mesmo que não esteja doente, sente-se mesmo doente...
.
.
Claro que a esta altura voltei a pousar os olhos na radiografia e respirei fundo, para não me indispor com o senhor que nem sequer estava a ser visto por mim, e que estava lá sentadinho, todo pimpão, perna traçada, a folhear o jornal, sorridente, na casa dos 40... Eu, enfim, sou uma moça de desejos simples, mesmo à 1:30h da manhã, estando eu de pé ao computador, ainda não tendo tido tempo de ir buscar a minha ceia, numa urgência confusa com máquinas de troponinas avariadas, impressoras a pifar, computadores lentos, macas em 3ª fila... Eu contentava-me em poder correr uma cortina para dar privacidade aos doentes no exame físico, em ter mais colegas, enfermeiros e auxiliares (ou uma melhor organização dos mesmos) e vá, pronto, agora assim um pedido mesmo à doida que era o de assistir pessoas verdadeiramente doentes. Irrita-me profundamente esta malta que vai entupir as urgências, consumir-nos tempo precioso para quem está mesmo mal e que ainda julga que um hospital é um centro recreativo, um hotel ou coisa do género! Estas pessoas deviam ser penalizadas por utilizarem indevidamente as urgências (de forma pecuniária e/ou outra). A Saúde não é um luxo, é um direito. E, como dizia um professor que tive, também um dever. As pessoas têm o dever de preservar a sua saúde e, acrescento eu, de respeitar quem trabalha na área e ainda os outros que precisam de recorrer aos cuidados de saúde. Tenho dito.

domingo, novembro 18, 2007

Poderes

O Philip Roth nada pôde contra um homem, cadeiras à frente, que era a versão portuguesa do Rodrigo Santoro, mas de cabelo comprido e apanhado num rabo-de-cavalo. Que até lhe caía muito bem sobre o cachecol escuro que trazia por cima do blazer.

sábado, novembro 17, 2007

Coimbra-B

Às vezes, fico terrivelmente cansada. Cansada de fazer e desfazer malas (desde que mudei de cidade estes actos ganharam uma nova e menos divertida conotação), de empacotar e desempacotar memórias, de abrir e fechar gavetas do coração.
.
Há viagens imperativas, mas árduas.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Twenties

Um que se exaure em sangue por tudo quanto é orifício, outro cujo cartão de validade já atingiu o limite (segundo o filho) e o último, o amputado, que motejou do Clostridium, da Pseudomonas e da Escherichia, é o único bom para ir para casa.

terça-feira, novembro 13, 2007

Tele-culinária

Iniciei com a minha mãe, pela hora do jantar, um novo ritual que consiste em esclarecer, telefonicamente, dúvidas sobre a arte da cozinha.

segunda-feira, novembro 12, 2007

domingo, novembro 11, 2007

Who knows?

Maybe it was all a big, big mistake.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Silêncio

Escrevo e apago, o gesto repete-se. Não é que não tenha assunto, pelo contrário, mas não consigo que as palavras espelhem (bastaria que se assemelhassem) os sentimentos. Atenho-me, assim, ao silêncio.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Cooking

Isto de começar a cozinhar tem que se lhe diga.
Vai ser uma novela com bastantes episódios. Fiquem por aí.

terça-feira, novembro 06, 2007

Sentence of the day

- The most beautiful words in the English language are not "I love you", but "it's benign".

Harry, Deconstructing Harry

segunda-feira, novembro 05, 2007

Coisas que me dizem (enquanto faço uma gasimetria)

- Ó filhinha, tem é que ter muita fé no Senhor, devotar-se muito a Ele, é Ele que me salva, estamos todos nas mãos d'Ele, eu não digo os outros Anjos e a Senhora de Fátima, é mesmo o Senhor, Ele é que me tem valido a vida toda.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Eu e a minha casinha linda

Pareço um homem com carro novo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

A minha casa nova

Ontem começou uma nova fase na minha vida. Há sonhos que se vão cumprindo.

sexta-feira, outubro 26, 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

Statu quo

Por este andar, qualquer dia tenho que mudar a cor e o slogan do blog.
E para acompanhar, agora era o terceiro movimento da sonata nº 2 para piano em si bemol menor, op. 35, de Chopin.
Mas eu, só para contrariar e para ao menos ter algum gostinho na vida, escolho outra.

Coisas (animadoras) que me dizem

- Deixa lá, pensa que 2007 foi um ano perdido.

Quando pensamos que não pode piorar...

Recorro às instâncias ao meu alcance. A resposta temida: forçosamente ter que prescindir de um direito.
São uns biltres. E isto é utilizar um eufemismo.
É aí que tento pensar no bem maior: os doentes. Mas, malogradamente, nem sempre resulta.

terça-feira, outubro 23, 2007

Variações (coisas que me dizem)

- Estou massa de bem com o mundo...

CH

Nesse país podes ser cidadão de segunda, mas no meu coração serás sempre cidadão de primeira.

domingo, outubro 21, 2007

Decoração

Depois deste fim-de-semana, o mundo dos parafusos e buchas com códigos de 6 algarismos deixou de ser um mistério para mim.

quinta-feira, outubro 18, 2007

O salutar destas coisas

Até nisto há que tentar ver o positivo: tirar as lições e precaver para o futuro.
E, claro, os infortúnios são óptimos barómetros das pessoas com quem podemos contar. Das que estão lá. Com a palavra amiga, com a ajuda.
.
.
P.S.: Quero aqui deixar um beijinho e um agradecimento especial à M., de Coimbra. Ela lê o blog, de quando em vez. Esta é para ti, miúda! Valeu!

quarta-feira, outubro 17, 2007

Adormecer

Coisas que passam do trivial ao pavoroso. Como adormecer.

terça-feira, outubro 16, 2007

Levam-nos tudo e deixam-nos o medo

E ficamos despojados. De memórias, objectos, valores, privacidade.
No reduto último.
Hoje, se conseguir adormecer, só o farei quando silenciar o choro miudinho que me apossa o corpo.

domingo, outubro 14, 2007

Variações (coisas que me dizem)

- Quando ouvi falar de TEP*, lembrei-me logo de ti...

*Tromboembolia Pulmonar

quinta-feira, outubro 11, 2007

Frivolous things

Hoje constatei um facto: desaprendi de andar de autocarro na minha cidade. Eu, que fiz a faculdade toda a viajar nos autocarros e sabia de cor e salteado ligações e frequências de passagem, nomeadamente das linhas 3, 78, 19, 24, 21 e até 41. Depois veio a revolução das várias carreiras, na altura em que comecei a pegar no carro para ir trabalhar. Agora, no visor electrónico dos veículos, aparecem números que nada me dizem. Por isso, hoje, lá estava eu na paragem, de dedito no mapa (unha lollypop!) à procura do autocarro a tomar para o trajecto pretendido. E quando cheguei lá dentro, claro!, tinha os Andantes esgotados!! Lá tive que ser estonadita e comprar o agente único.
Mas saiu-me um motorista alegre e brincalhão (não há disto em Coimbra).
Foi um episódio burlesco.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Ruas da minha cidade

Fiz as pazes com a minha cidade. Em verdade, a quezília não era com ela. Mas uso-a em sentido figurado.

Tenho aprendido que as cidades podem ser a metáfora de muita coisa.
.

Longe

Sinto-me mentalmente em férias desde o início da semana. Hoje ocorreu-me a ideia (um pouco idiota, vá, mas façam-me a vontade) que se me perguntarem, assim de repente, nem sei bem que profissão exerço no dia-a-dia. Achei esta imagem maravilhosa. E tenciono manter-me neste limbo enquanto puder. É que só faço qualquer coisinha se alguém cair estatelado à minha frente ou se engasgar na mesa ao lado, na esplanada. Garanto-vos!

terça-feira, outubro 09, 2007

Olhares

Porque o olhar do amor é o olhar do isolamento. [...] Não, não é de um olhar de amor que ela precisa, mas da inundação dos olhares desconhecidos, grosseiros, concupiscentes e que poisam nela sem simpatia, sem escolha, sem ternura nem delicadeza, fatalmente, inevitavelmente. Esses olhares conservam-na na sociedade dos humanos da qual é separada pelo olhar do amor.

Milan Kundera, A Identidade, pág. 31

domingo, outubro 07, 2007

Dalí no Palácio do Freixo

E vou acalentando o sonho de um dia percorrer o triângulo Daliniano.


sábado, outubro 06, 2007

Táva-se mesmo a ver

que no fim de um dia como este (em que, devo acrescentar, é um daqueles dias do mês) tinha que receber um insistente convite para um café com um elemento do sexo oposto. Um daqueles que não têm sobejado ultimamente, nos quais admitimos a possibilidade de uma possibilidade. Lá recusei, delicadamente, propondo alternativa noutra data. Com a sortezinha que eu tenho, já todos percebemos em que é que isto (não) vai dar.

O que vale é que estas ironias da vida me divertem e eu estou a entrar naquela onda if it doesn't happen, it wasn't meant to be.

Dia de compras - resenha

Aspirador, máquina de café espresso, móvel de TV, móveis para a sala, mesa de centro (ainda em ponderação), tapete da sala (quase), fruteira, pratos de sobremesa (o resto da louça e trem de cozinha já tinha comprado) e escolha da cama e mesa-de-cabeceira. E ainda houve tempo para ver ene LCDs (sem me decidir por nenhum).

Volto para casa com as pernas dormentes e os neurónios fritos, mas de sorriso na cara.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Variações (Summertime)

A diacetilmorfina matou-a há 37 anos.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Variações (coisas que me dizem)

- Ainda não é o teu tempo.

Não contesto. Quem me conhece sabe que eu sempre tive uma relação difícil com o relógio.

terça-feira, outubro 02, 2007

Post para uma amiga que não lê blogs

Mais do que deslocada geográfica, és agora exilada sentimental. E eu sei o que isso custa. Gostaria de poder dizer-te que em breve poderás regressar ou que tenho a mezinha que te aliviará o sofrimento. Não é ética a prática da profissão quando perdemos a objectividade (pela relação de amizade e pela proximidade da maleita). Posso apenas escutar-te. E acalentar a esperança de um dia esta fase ser um episódio risível nas nossas vidas.
Tento olhar tudo como uma provação e incito-te a fazer o mesmo. Como um Harrison relacional. Vais ver que vai acabar mais rápido do que esperávamos.

segunda-feira, outubro 01, 2007

É hoje, é hoje

Frontispício do Pocket PC: Férias.
Porém, mais do que lá, sabem-me melhor no corpo.